Olá, venho falar-vos da minha experiência com a obstetra que acompanhou a minha gravidez nos lusíadas, não muito boa. Espero que da minha experiência, novas mães e não só, se possam de alguma forma precaver e estar atentas a certos sinais no vosso acompanhamento.
Escolhi a médica em causa por ver relatos positivos da mesma aqui no reddit, entre os quais elogios relativamente ao seu respeito do parto pretendido pela grávida.
De primeira impressão achei-a calma e normal, não simpática, mas também não antipática, algo que não me incomodou, desde que fosse boa profissional.
Fui tendo as consultas como normalmente, mas descobri muitas coisas da gravidez sozinha. Por ex: o rolhão mucoso, as contracções de braxton hicks, entre outras coisas que nunca me foram explicadas e eu não tinha como perguntar antes de me acontecerem... sendo mãe de primeira viagem senti logo aí pouco apoio e esclarecimentos.
Por sua iniciativa, a médica deu-me o seu número de telefone, para a contactar na sequência de uma ecografia que ia fazer no SFX para despistar uns quistos no bebé. Enviei-lhe mensagem apenas uma vez (conforme imagens) e a resposta além de muito tardia (o que, enfim, poderá dever-se à sua agenda) foi totalmente vaga e atrevo-me até a dizer, desadequada. Esquecendo o facto de não existir sequer um “boa noite” ou “boa tarde” - básicos da boa educação - a simples frase “não é assim” levantou-me muito mais dúvidas do que respostas.
Perante tal resposta, optei por não enviar mais mensagens, porque senti que afinal não era para comunicar por aquela via. Contudo, como já estava bem avançada na minha gravidez e considerando que não havia vagas para outros médicos e, ainda, considerando a hipótese de estar a exagerar, mantive-a.
Na consulta das 38 semanas fez-me o toque, algo que não me opus, porque queria saber se havia sinais de trabalho de parto, dado que se previa ter um bebé muito grande e não queria passar das 40 semanas. Doeu-me, mas como me disse que tinha o colo mole e 1 cm de dilatação, fiquei esperançosa. Contudo, nessa mesma consulta, disse-me que tinha um formato do osso pélvico que impediria o parto natural. Para mim, isso foi um choque, porque desde início manifestei desejo em ter um parto natural, algo que mostrou apoiar-me até então. Todos os ginecologistas que me viram ao longo da minha vida, nunca reportaram tal coisa.
Dada a fama dos hospitais privados em querer "vender cesarianas", esta informação deixou-me, uma vez mais, de pé atrás. Para acrescentar a isto tudo, disse-me nessa consulta também, que se o bebé “tivesse a cara larga como a mãe” podia não passar no canal de parto (lol). Revirei os olhos internamente e terminei aquela consulta o mais rapidamente possível, sentindo que dali não poderia retirar mais nada.
Por volta das 38/39 semanas fui às urgências por suspeitar que me tinham rebentado as águas, onde a minha médica estava de serviço e fez-me a avaliação. Inseriu um espéculo doeu-me horrores. Eu já fui a vários ginecologistas na vida e raramente me doeu a colocação do espéculo. Não é suposto doer. Claro que isto veio seguido do comentário “se isto dói, não sei como quer parir”.
Na consulta das 39 semanas, como é costume, fui vista antes por uma enfermeira, que, em conversa, me explicou que se o colo está mole, não é suposto o toque doer. Fiquei a pensar nisso, mas como leiga na matéria, confiei que tinha o colo mole, como me indicado, e que se calhar eu só não tinha assim tanta tolerância à dor. Fiz descolamento de membrana parcial nessa consulta, algo que, mais uma vez, me doeu horrores.
Às 40 semanas fui induzida e, embora fosse algo que queria evitar, como disse acima, dado o tamanho do bebé, não me opus. Seguiram-se 45h de trabalho de parto, mas vamos começar pelo início.
Nas primeiras 24 h não passei de 1 cm de dilatação. Num dos vários toques a que fui sujeita, progressivamente mais dolorosos, ao ponto de berrar, a médica afinal diz “o colo por fora está mole, por dentro não”. Ora, eu nem sabia que isso era uma hipótese. Assim percebe-se as dores que tinha.
A cada visita e a cada toque que me fazia, dizia-me, sem falta: “não sei como vai parir assim”, insistindo, igualmente, que não tenho anatomia para parir naturalmente, pressionando cada vez mais para uma cesariana, mas sem o dizer explicitamente. A dada altura, de tantas vezes que ouvi aquilo, perguntei “então e se fossem outros tempos?”, ao que me responde “morriam as duas”. O que me vale, sinceramente, é ser suficientemente estável emocionalmente para não me deixar afectar por um comentário tão pouco cuidado.
No dia seguinte de manhã rebentaram-me as águas, algo que me deu esperança para um avanço rápido. A dra visitou-me, como é normal, mas desta vez veio com a proposta explícita de me realizar uma cesariana naquela manhã. O motivo é que não estaria à tarde. Achei egoísta querer submeter-me a uma cirurgia daquela dimensão apenas e só para lhe ser conveniente na agenda (e eventualmente ganhar uma comissão, não sei). Olhei e apontei para o CTG (que já tinha aprendido a interpretar minimamente) e perguntei: “mas o bebé está bem, certo?”, ao que me respondeu “certo”. ”Então, vou esperar”, disse-lhe. Por esta altura, sinceramente, eu queria é que não pudesse estar. Queria uma segunda opinião urgentemente.
Lá consegui que saísse sem me realizar a cesariana. Nova esperança passou por mim. Poucas horas depois, apareceu uma nova médica, a médica de serviço naquele dia. Vinha com uma ideia pré-concebida do meu estado, dado ter falado com a minha médica antes. Vinha igualmente desmotivada em relação ao meu progresso e possibilidade de ter um parto natural. Fez-me o toque e não doeu, agora sim, foi só desconfortável. Ao avaliar-me, a sua expressão mudou. “Alto lá que o bebé desceu, isto são boas notícias, vamos aguardar para ver”, disse-me com optimismo cauteloso. Disse-me, também, que tinha uma boa anca para parir, sem eu sequer mencionar nada relativamente a isso. Então perguntei: “diria que tenho boa anatomia para ter um parto natural?”, “sim, óptima”, respondeu-me. Já podem imaginar o que estava a pensar naquele momento.
Respirei de alívio e agora sim estava pronta para me focar apenas no trabalho de parto sem ter o fantasma da cesariana a assombrar-me. A partir daqui, sabia que se acabasse em cesariana era porque tinha mesmo de ser e estava ok com isso.
Mais umas horas em trabalho de parto e quando não são os médicos a fazer o toque, sao as enfermeiras obstetras. Além de que mais nenhum toque me doeu, ouvi de uma destas enfermeiras que eu tinha uma boa e normal anatomia para parir vaginalmente (2-1).
O parto em si correu bem, com a médica de serviço que falei acima. Tive de ser cortada, não devido à minha anatomia, mas à do bebé, que tinha o perímetro cefálico no valor mais elevado do espectro.
Não vou dizer com certeza que a minha médica tinha um plano premeditado de me vender a cesariana ou se a avaliação que me foi fazendo foi genuína. Isso só a mesma saberá. Resumindo, confiem nos vossos instintos e informem-se. Quanto à médica, não voltei lá. Acredito que possa ter acompanhado muito bem outras grávidas, mas a minha experiência não foi essa, principalmente como mãe de primeira viagem.
Sei que todas as histórias têm mais do que uma versão, mas obviamente só consigo relatar a minha. Dei várias oportunidades à médica, temendo a possibilidade de estar a exagerar, mas sinto que acabei por ter razão.
Um aparte: todas as enfermeiras e auxiliares que apanhei foram uns amores. Fizeram toda a experiência muito melhor só pelo seu profissionalismo e simpatia. Voltarei a ter filhos nos Lusíadas, mas vou ter de encontrar outra médica.