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Desabafos / Confissões Desabafo sobre a minha situação.
Tenho 34 anos e estou divorciado desde os 32. Namorei durante 11 anos, desde os meus 18, com uma pessoa com quem estive casado durante 2 anos.
No ano em que nos íamos casar, em 2022, descobri que tinha um cancro no testículo. A descoberta foi a 21 de abril, fui operado a 27 de abril e o casamento estava marcado para 7 de maio. Graças a Deus, como o tumor estava num estágio inicial, não precisei de fazer tratamentos oncológicos, nem quimioterapia, nem radioterapia. Hoje já estou clinicamente curado.
No entanto, nessa altura, ela queria casar na mesma e ir para a República Dominicana, mesmo comigo recém-operado (com apenas uma semana e pouco de cirurgia). Eu disse-lhe que não iria para um país estrangeiro sem saber como funcionava o sistema de saúde local, e ela amuou. Enquanto estive internado, ela só me ia visitar nos últimos 10 minutos do horário de visitas e, no dia em que tive alta, nem lá estava para me ir buscar. Quem me foi buscar foi a minha mãe, a minha irmã e o meu cunhado. A minha mãe avisou-me, mas eu gostava muito dela e decidi avançar para o casamento no final de agosto desse mesmo ano.
Dois anos mais tarde, descobri que não podia ter filhos devido ao cancro. Foi nessa altura que ela me traiu com o seu primeiro namorado, dizendo-me claramente que "não queria adotar os filhos dos outros".
Ela era 5 anos mais velha do que eu e já tinha uma casa com empréstimo ao banco. Eu nunca comprei casa quando elas ainda eram baratas porque, sendo novo e ingénuo, acreditava quando ela me dizia que ficaríamos juntos para sempre e que não era preciso comprar, pois iríamos viver na dela.
Aos 19 anos, em plena crise (2008/2012), fui viver e trabalhar para os EUA, em Nova Iorque. Podia ter ficado lá com o apoio do meu tio e legalizar-me — até porque o meu avô já tinha emigrado para lá nos anos 60. No entanto, regressei ao fim de uns meses porque ela me dizia que iríamos ser muito felizes juntos.
Mais tarde, em 2015, tive a oportunidade de comprar uma casa por 50 mil euros nos Olivais, em Lisboa (de onde sou natural), e desperdicei-a. Passei anos a esperar que ela tirasse a licenciatura, o mestrado e que estabilizasse num emprego, pois o meu grande sonho era ser pai e podia tê-lo sido muito mais cedo. Ela, contudo, dizia sempre que não queria ter filhos enquanto não tivesse a vida estabilizada.
Resumindo: sinto que destruí a minha juventude toda e a minha oportunidade de ser pai por alguém que não me valorizou. Podia ter feito a minha vida nos EUA ou encontrado uma mulher que realmente gostasse de mim. Sou um bom rapaz, trabalhador, sem vícios, com duas profissões (sou canalizador e eletricista certificado em ambas as áreas) e ajudava em tudo em casa. Inclusive, mobiliei a casa dela toda e ela só me devolveu cerca de 20% do valor que lá gastei.
Para piorar a situação, como comecei a namorar muito jovem, o meu grupo de amigos acabou por ser o dela. Quando dei por mim "sozinho", a maior parte dos meus antigos amigos já tinha emigrado e os restantes estão casados e com filhos. Hoje em dia, o meu círculo de amizades é quase inexistente.