r/Livros • u/Ana_S_347 • 2h ago
Indicações de leitura Eu só queria uma leitura leve, mas encontrei muito mais em “Querido Caleb”-NATHAMI
RESENHA- QUERIDO CALEB, POR NATHAMi 4,8/5
Querido Caleb apareceu em uma das minhas buscas por livros que não exigissem tanto intelectualmente, sabe? Aqueles livros para ler no tempo livre, depois de um dia cheio de trabalho e estudos, com uma pipoca ao lado e a intenção de simplesmente aproveitar uma boa história. E, sinceramente, foi uma das melhores surpresas que eu poderia ter encontrado.
Depois de terminar Os Miseráveis, com suas quase 1.600 páginas de críticas sociais, reflexões filosóficas e discussões profundas, eu precisava de uma leitura mais leve para sair da ressaca literária. O que eu não esperava era encontrar um romance que, mesmo sem uma proposta filosófica complexa ou a intenção de discutir um grande tema acadêmico, fosse capaz de me entregar personagens tão bem desenvolvidos e uma história tão doce.
Porque, para mim, é justamente aí que Querido Caleb se destaca: ele pode ser um romance clichê em sua estrutura, mas está longe de ser superficial na maneira como desenvolve seus personagens.
Hazel é uma das personagens femininas mais fortes que já encontrei em um livro. E não digo isso porque ela é invulnerável ou porque consegue enfrentar tudo sem sofrer, mas justamente porque sua força nasce das experiências que precisou superar. Ela carrega as marcas de um relacionamento tóxico, precisou criar seu filho sozinha e, ainda assim, encontra maneiras de reconstruir a própria vida. Sua trajetória é construída também por meio de flashbacks, que nos permitem compreender gradualmente seu passado, suas inseguranças e, principalmente, sua dificuldade de confiar nas pessoas.
O mais bonito é perceber que Hazel não está sozinha. Ela tem uma família adotiva que a acolhe, amigos profundamente empáticos e pessoas que genuinamente desejam seu bem. Ainda assim, receber amor não significa saber como aceitá-lo. Seu maior desafio não é encontrar pessoas boas, mas aprender a confiar nelas, especialmente quando se trata do amor romântico.
E é aí que Caleb entra.
Caleb funciona como um suporte emocional para Hazel, mas o desenvolvimento dele também merece reconhecimento. Ele não existe apenas para salvá-la ou resolver seus problemas. Ele também tem suas próprias barreiras, seus medos e suas dificuldades afetivas. Ao longo da narrativa, acompanhamos dois personagens que precisam aprender que amar alguém não significa apenas querer o seu bem, mas também saber se comunicar, confiar e permitir que o outro faça parte da sua vida.
A relação dos dois é um friends to lovers que foge de algumas das fórmulas mais previsíveis do gênero. Não é aquela dinâmica em que os protagonistas passam a história inteira se odiando até descobrirem que se amam. Existe um conflito entre eles, sim, mas ele não é construído como se o relacionamento tivesse nascido do ódio. O que houve foi uma má resolução de sentimentos e situações em uma fase da vida em que ambos ainda estavam aprendendo a lidar com aquilo que sentiam.
Eles se amavam, queriam o bem um do outro e, ainda assim, acabaram separados. E talvez seja justamente isso que torne o reencontro tão especial: a química entre eles não depende apenas da atração, mas de tudo o que ficou inacabado, de tudo o que precisou amadurecer e de tudo aquilo que os dois ainda precisavam aprender.
Também preciso falar do Gus, porque ele é simplesmente perfeito! A maneira como a criança participa da história acrescenta uma ternura especial à narrativa. E as cartas… as cartas são um dos detalhes que mais contribuíram para tornar essa experiência tão doce para mim. São esses pequenos elementos, quando bem trabalhados, que fazem um romance permanecer na memória depois da última página.
Embora seja uma leitura leve, o livro também aborda questões importantes, como relacionamentos tóxicos e fanatismo religioso. Não considero que sua principal proposta seja aprofundar filosoficamente esses temas, mas mostrar como determinadas experiências podem marcar alguém e como é possível reconstruir a própria vida depois delas. Para mim, a mensagem mais bonita está justamente na possibilidade de encontrar relações saudáveis, aprender a receber amor e descobrir que o passado não precisa determinar todos os nossos futuros.
Querido Caleb me lembrou que nem toda leitura precisa nos desafiar intelectualmente para ter valor. Às vezes, uma história pode simplesmente nos acolher, proporcionar algumas horas de tranquilidade e nos fazer acreditar um pouquinho mais na possibilidade de recomeços.
E foi exatamente o que aconteceu comigo. Depois de uma leitura tão extensa e densa como Os Miseráveis, encontrei aqui o respiro literário de que precisava. Um romance que me tirou da ressaca, me conquistou pelos personagens e me deixou com aquela vontade gostosa de procurar outros livros da autora.
Com aproximadamente 540 páginas, é uma leitura que recomendo muito para quem procura um romance envolvente, com personagens bem construídos, uma boa dose de carinho e uma história sobre confiança, amadurecimento e reconstrução.
Minha recomendação? Leiam! Principalmente se vocês estiverem procurando um romance para aproveitar em uma tarde tranquila, sem a obrigação de analisar cada página, mas com a possibilidade de terminar a leitura com o coração um pouquinho mais quentinho, definitivamente, quero ler mais livros da Nathami para descobrir se vou encontrar neles essa mesma sensibilidade que encontrei em Querido Caleb.
Você pode encontrar esse livro na Amazon ou pegar no Kindle unlimited
OBS: Não indicado para menores de idade, pois possui algumas cenas 18+.