Tenho conversado com amigos e com funcionários/prestadores de serviço que encontro, e aprendi muita coisa sobre o que fazer e o que não fazer. Tentei várias abordagens diferentes, com graus variados de acerto.
1. Se a pessoa odeia o Lula ou o PT, parta pra próxima.
A manipulação realizada durante o mensalão e a lava jato deram muito certo. A exploração do ódio ao Lula e ao PT é a maior cartada que a direita já deu nesse país, e isso se perpetua até com os gen Z.
Se vc detecta que a pessoa foi cooptada por esse discurso, não adianta mais apelar pra razão. Não existem dados, estatísticas, fontes confiáveis ou linha de raciocínio que vá fazer a pessoa mudar de ideia. Fiquei vários dias conversando com um amigo que tem pai bolsonarista e nunca havia ouvido o discurso real da esquerda, sempre com muitas fontes e explicações de como o mundo, o brasil e a política funcionam, destruindo cada fake news que já foi dita pela direita.
Ao final, o cara me falou que gostou das ideias do Jones Manoel e consideraria votar nele no futuro, mas não vota no Lula de jeito nenhum. "O Lula não me desce, mas o Flávio desce" foi o que eu ouvi. Insano, porém real.
2. Falar mal do Flávio surte mais efeito do que falar bem do Lula
Se vc fala bem de político, vc é gado. Se vc fala mal, vc é esclarecido.
Dos 3 temas que acredito que mais pegam os indecisos, todos são negativos:
- Associar o Flávio à perda de direitos do trabalhador
- Associar o Flávio ao risco de ele entregar o Brasil pro Trump
- Questionar se a pessoa ou a família usufrui de serviços que o Flávio sugeriu desmontar/privatizar - SUS, Farmácia Popular, aposentadorias.
3. As pessoas querem saber mais do FUTURO do que do passado.
Listar avanços dos governos do Lula não surte efeito se a pessoa não consegue associar nada do que vc fala à realidade dela. Ela não vai ligar pro programa Luz para Todos se ela nunca viveu aquele problema. Mas ela vai mencionar que o quilo do café tá R$ 30,00 e que ela rala muito pra conseguir comprar um tênis novo. Aqui é onde o fim da escala 6 x1 a gratuidade do transporte público e o risco de privatização da Petrobrás ajudam.
Basicamente precisamos comunicar com os indecisos de forma que ele entenda o que muda pra ele caso o Lula ou o Flávio ganhem.
Apelar pro altruísmo e na necessidade de construirmos uma sociedade com menos desigualdades não funciona bem na minha experiência. Todos os candidatos prometem isso.
4. As pessoas não tem a MÍNIMA noção do mundo em que vivem. O que vivemos na internet é a bolha da bolha.
Muitos vídeos que assistimos e compartilhamos não funcionam porque as pessoas não compreendem os conceitos básicos que sustentam esses vídeos.
Como vamos discutir sobre o Flávio Bolsonaro querendo privatizar o SUS com quem não entende a importância do sistema?
Como falar sobre o desmonte das universidades e sobre o perigo de rasgarmos a CLT com quem não fez faculdade e acredita no amigo que é uber e se diz empreendedor?
Como falar sobre soberania nacional com quem não entende o que é isso e acha que os EUA são bonzinhos e querem ajudar o Brasil?
Esse vídeo que tá sendo compartilhado onde se conta a história de Hitler enquanto vc acha que é o Jair? Excelente, genial. Porém exige da pessoa um entendimento sobre a vida de Hitler que 99% das pessoas não tem.
A solução mais uma vez está nos pontos 2 e 3.
Conclusão
Virar um voto é uma tarefa muito difícil. Ainda assim, os indecisos geralmente topam ouvir o que vc tem a dizer, e agora mais do que nunca, não podemos ficar calados.
Ah, e uma pessoa me contou que votou na direita no 1º turno e vai votar no Lula agora, entre outras coisas, baseado no que leu no Reddit! O nosso trabalho aqui importa e dá resultados sim!
Continuem, a virada vai chegar!